Há mais de 70 anos na Caparica
Nasci no Monte da Caparica, vivi em Lisboa e na Cova da Piedade.
Agora já reformado continuo a ir todas as semanas, ou quase, à Costa onde desde há alguns anos, mais de 20, tenho um andar na agora chamada Av. General Humberto Delgado n.º 27.
Lembro-me bem dos grandes areais, onde não era preciso colocar areia, não havia espigões e alguns restaurantes eram cobertos por canas.
Os tempos são outros. Os restaurantes têm muito melhor aspecto, e o bom peixe continua por lá.
Temos hoteis, já não é só o "Papo seco", de qualidade, melhores edificios, etc.
Acontece que quando comprei o andar, virado para o mar, tinha vista para a esquerda e para a direita e via o Sol ir dormir para dentro de água!
Depois fizeram construções do lado direito e deixei de poder ver a Torre do Bugio.
Com as obras de recuperação POLIS muito melhorou.
Acontece que o terreno que serviu de estaleiro em frente ao prédio, e que me disseram que se destinava a uma zona de lazer e de recreio para as crianças aparece agora com dois anuncios informando que se destina a um hotel com 8 pisos acima do solo.
Ora 8 pisos acima do solo darão mais ou menos 30 metros! claro que quem olha o anuncio é levado a pensar que é uma coisa baixinha.
Para além de ser uma oferta na orla do direito maritimo que exige especiais autorizações, se tal vier algum dia a acontecer trata-se de mais um atentado ao ambiente e ao bem estar dos residentes permanentes ou não.
Recordo-me do tempo que foi necessário para concretisar a construção dos prédios da Avenida na zona a que me estou a referir. Foram meses, anos, a tirar água. No meu prédio quando das grandes chuvadas de alguns anos atrás tivemos água na cave e danos na estrutura do edifício que se podem verificar pelo relatrório técnico efectuado na altura.
O pretenso hotel a ser construído irá alterar o movimento de águas em toda a envolvente com as consequências que os técnicos sabendo prever podem anular. Resta saber com que custos directos para a construção, não é meu problema, e indirectos nas indemnizações aos ofendidos pelos danos materiais directos e pela desvalorização das suas propriedades.
Talvez se esteja a tempo de evitar mais um atentado ao ambiente.
texto por Tomé Gil. Comentários para tpgil@sapo.pt.
